Thursday, December 8, 2011


Decidi que não vou falar. Por agora não. As palavras já me cansam. Apontar o dedo vezes sem conta às tuas falhas, só para as ver bater-me na cara de novo, já basta. Não quero mais. Vou só aninhar-me aqui e tentar pensar menos em ti. Precisar menos de ti. Porque afinal, não te tenho. Tenho sim algumas horas em que te roubo do mundo, mas ele descobre-te sempre... Ou então és tu que ficas irrequieto e queres voltar. De qualquer das formas, fico sozinha de novo. E não tem mal, sempre apreciei a solidão, somos velhas amigas. Mas não a quero nem um milésimo do quanto te quero a ti. Mas tu falhas, e deixas-me só com ela. Ela que é caprichosa, mesquinha, negativa. Enche-me os ouvidos de palavrões e diz que me perdi de mim. Que mais uma vez não sei amar-me sozinha.

Tuesday, December 6, 2011


Dei-te as mãos como se por engano. Tombei sobre ti. E agora cada passada que dás carrega o meu peso também...lembras-te daquele peso morto? Sim, está sempre lá. A martelar-te, a arrancar-te pedaços... Sangue e gritos. Faço dramas nos teus ouvidos e teias nos teus braços, enforco cada sentimento à nascença e nego-o. Se sou feiticeira, porque vens sempre cair neste caldeirão, mesmo quando te corto a rede e digo vai, corre, foge-me, que te hei-de devorar...? Olhas para trás e aí a magia quebra-se, e, num arrastar de ossos cansados, apertas-me junto a ti e dizes que não, não vais a lado nenhum. Que queres destes estilhaços, destas farpas, destes trejeitos de mulher só? Que queres deste corpo falso, que camufla os meus milénios...? Às vezes estou tão velha e cansada que me torno impaciente com a criança que mora dentro de ti. Enervas-me. Como quero por vezes arrancar-te daqui, soltar os meus braços do teu peito, descolar. Passar a ser só eu. Concha. Mas a solidão desdenha-me. Diz que não lhe pertenço! Então a quem? Quem há-de querer esta carcaça? Tu, menino perdido e indefeso? Não, não posso, destruo-te no meu caminho de desgraça. Destruo-nos aos dois. Desfaço-te. Assim deve ser se de ti quero pedaços que ainda não podes dar? 

Sunday, November 20, 2011


E que tal se fugíssemos para um sítio só nosso? Um penedo, um carvalho, uma nuvem? Aquele lugar onde só se ouvisse um coração, onde o ar que me entrasse na boca seria apenas o que já tinha estado em ti? E que tal se fôssemos apenas pássaros e tentássemos chegar ao sol? Sem ambições ou obrigações que não as de dar piruetas no céu? E se dançássemos? 

E se eu morrer nos teus braços? Deixas?

Friday, October 21, 2011


Odeio que sejas assim, tão frágil, tão paralisada pelo medo... Porque te atiras contra mim com toda a força como se esperasses desfazer-te a cada momento? Não compreendo essa tua vontade de auto-destruição... Procuras o vazio de cabeça baixa e choras quando o encontras? Mas afinal o que queres de mim, que morra também? Não quero. Não te devia querer. Arrastas-me nesse caminho de amor e dor. És louca, e mil vezes desejo que nunca te tivesse olhado nos olhos, nunca te tivesse despido essa pele e conhecido essa alma de tormentas. Desalinhaste-me a vida... Andas aí, de coração desgarrado, uma lapa de facto, a pior das viúvas negras... E o pior é que não te consigo largar, dói. Penso em nunca mais ver esses olhos de bambi - que por vezes ecoam a maior felicidade, mas tantas vezes se fazem inertes, olhando o nada - e sinto uma desesperança enorme. Porque te quero. E não devia. Mas o meu peito continua na ilusão de que um dia o teu coraçãozinho tímido arranje coragem de entrar dentro dele...e embalsamar essa tua dor onde não te possa ferir mais... 

Wednesday, October 19, 2011

- Diz-me, porque saíste dos meus braços?
- Porque te esqueceste de me cortar as asas.
- Nunca poderia fazê-lo... 
- Mas porquê, se eu era o que mais querias?
- Porque quando se ama vive-se na ilusão de que a outra pessoa nunca irá tentar fugir... 

Monday, October 17, 2011


- Está frio... - lança a medo.
- Pois está. - um sussurro indiferente.
- Costumavas amar o vento... 
Silêncio.
- Adoravas soltar o cabelo, rodopiar como uma louca, rir...rir muito.
Uma névoa de sorriso surge do outro lado. Um fantasma triste de um passado ultrapassado.
- Contavas histórias com os olhos...cantavas desafinada...
Um auto-abraço e um olhar no horizonte.
- Eras a criatura mais linda que alguma vez conheci... Ainda o és... Mas já não estás aqui... Onde estás afinal?
Suspiro.
- Não sei. É um vazio.
- Como gostava de estar aí contigo... - as forças desfazem-se. - Queria tanto abraçar-te...
- Não. - uma lágrima - Não podes... Sabes bem que só existo no teu coração agora...
- Então quem me dera arrancá-lo e tê-lo nos meus braços...
Um sorriso. Genuíno desta vez. 
- Sempre o mesmo tontinho... Não te deixo fazer isso...
- E como me irias tu impedir? Tu que resolveste ir embora e deixar-me aqui?! 
- Simples... Dizendo apenas umas palavras: se arrancasses o teu coração, morrerias não só tu, mas também eu, uma segunda vez... 

Thursday, October 13, 2011


Se fizessem um raio X a tal besta, tenho quase a certeza que apenas teria um coração. 

Zeus foi inteligente, de facto. Esses humanos deveriam ter uma força incalculável. Pois não há loucura mais temível e forte do que o amor.

Monday, October 3, 2011


Não digas nada. O silêncio é a melhor bandeira branca. A mais bela forma de nos rendermos a nós. Calados, somos só um do outro. Fixos. Uma fortaleza de nuvens, eternamente chuvosas, frescas, calmantes. Seguras e atracadas. 

Sou tua.  

Tuesday, September 20, 2011


Samantha ganhara o hábito de esperar. Todos os dias podíamos dar com ela à janela, de olhar resoluto, na expectativa de o ver chegar. Ele vinha, por vezes, cantar-lhe ao coração. Outros dias, não. Mas ela sempre aguardava. Vestia-se delicadamente, os cabelos longos gastos de perfume, arrastando recortes de revistas e álbuns velhos nas algibeiras. Não se inquietava, nem quando as corujas se precipitavam para caçar um ratinho tresmalhado, nem quando o apagador de luzes, de trejeitos desajeitados, lhe galava a silhueta em silêncio. Quando deixava de ver, acordava. Encolhia os ombros e recuava, pisando livros, até ao leito. Lá dormia, um sono superficial, como se a cada momento o seu príncipe errante a pudesse vir resgatar. 

Ele foi aparecendo cada vez menos. Até nunca mais voltar. A princípio ela continuou à espera. Talvez ele estivesse perdido. Talvez ferido. Mas, a pouco e pouco, o cabelo foi-lhe caindo, as roupas afrouxaram no seu corpo seco, o olhar tornou-se frágil... Até que, olhando o último candeeiro, decidiu sair. Cheirar o mundo. Cansou-se de esperar. E de atirar a vida pela janela. De agora em diante, apenas andaria em frente.

Sunday, September 11, 2011


Aqui está. O peso de que te tinha falado... A fragilidade, que se deixa resvalar à medida que te amo mais e mais... O medo, a saudade e a necessidade juntando-lhe condimento. No final, tenho este pesado balão de neutrões que arrasto indefinidamente. Que se atira contra ti, clemente, e chora: 

"Isso, agarra-a. Não a deixes ir. Ela nem casa tem, tens de ser tu a guardá-la. Eu sei que às vezes o peso parece insuportável, mesmo para as tuas costas fortes. Mas ela é apenas uma menina perdida. Indica-lhe o caminho para o teu coração. Porque sim, ela às vezes é cega, surda e burra. Não entende o óbvio. Fantasia. Julga-se odiosa. Não confia em nada. E, ainda assim, quer acreditar que há algures alguém que a vai querer mesmo. Para fundir uma vida. Para criar vidas. Na realidade, ela secretamente deseja que essa pessoa sejas tu."

Thursday, September 8, 2011


Era uma armadilha. Desde o início. Eu tentei avisar-te. E agora é tarde. Estas mãos que se perdem nas tuas costas, alheias ao meu pensamento, são na realidade garras. Feitas para te apertar e não te deixar ir. Não vás. És meu. Entreguei-me. E agora quero cada canto poeirento do teu ser. Sim, mesmo aquele anexo a cheirar a mofo, a cair aos bocados. Quero-te todo. Não aceito um não como resposta. Tenho fome. Sacia-a. Criaste este monstrinho. Eu amo-te. Vivo sem ti, mas não o queria ter de fazer... E detesto acordar com medo que vás embora... Porque esta besta que chamo de coração, é caprichosa. E vai-te devorar mesmo que não queiras.

Sunday, September 4, 2011



Ela: Não percebo... Eu não tenho nada para te oferecer. Não sou uma beldade, nem extraordinariamente inteligente. Não sou refinada, nem sei falar com estranhos. Muitas vezes tropeço e digo disparates. Não acredito que te possa acrescentar nada. Porque precisarias de mim?

Ele: A questão é que eu não preciso de ti. Eu quero-te.

Tuesday, August 30, 2011



Tenho os pés frios. Nem a memória do teu calor despedaça esta saudade prematura, infantil, natural. Porque por cada segundo a mais que me derreto nos teus abraços, maior se torna a vontade de me incendiar em ti para sempre.



Sunday, July 31, 2011


Fui uma menina, perdida nos teus braços. Tímida, insegura, estupefactamente feliz. Acordada de uma intrincada teia de dúvidas e receios. Adivinhaste o quanto precisava dos teus sussurros, das tuas emoções profundas, da tua loucura. Deixei-me cair, apenas para ser apanhada no teu abraço ternurento.

Sabes, na realidade, preciso muito mais de ti do que aquilo que deixo parecer...

Thursday, July 28, 2011


Quando regressares, vou apertar-te contra mim, desfazer cada dúvida tonta que te invada e encher-te com a certeza de que, quando dizes que sou a mulher da tua vida, eu quero mesmo ser.

Wednesday, July 27, 2011



Por vezes, estando deitada a teu lado, dou por mim a pensar nos pássaros que cruzam os céus. E em como, pela primeira vez, não quero ser um deles. Voar? Sobrestimado. Eu quero mesmo é um ninho.

Tuesday, July 26, 2011


Não sou um part-time. Mereço mais que isso. E sim, às vezes sou egoísta. Queria poder ter-te todo só para mim por umas horas...apenas umas horas...é tudo o que peço... Mas devo estar a pedir muito baixinho, porque tal coisa nunca vem...

Porque é que não percebes aquilo que quero? Os casais precisam de momentos só os dois. Qualquer um sabe isso.

Monday, July 25, 2011


 Suspiro com cada momento roubado, cada palavra humedecida nos teus lábios, cada calafrio suave... Abandono-me no sonho do teu abraço, fecho os olhos e aprecio o eterno.

Não fazes ideia do quanto te quero.

Friday, July 22, 2011


- Não tens medo de morrer?
- Não, Susan. Na realidade, há alturas em que quero morrer...
- Mas porquê?
- Porque quero saber a que sabem as nuvens.


Estar contigo é tão bom que até lá os momentos parecem-me suspensos. Caminho, sem saber muito bem para onde ir. E quando os meus olhos te encontram de novo, deitado onde te deixei, percebo que quando caio em ti, estou na realidade a voar.

Saturday, July 16, 2011


Estou a tentar dar passos pequeninos, respirar nas alturas certas. Preciso de me controlar. Mas tenho este fascínio louco por precipícios. E tu és um. Lindo, irresistível, acolhedor. Atrais-me. Enlouqueces-me. Fazes-me querer cair. Voar, minutos antes de acolher a tua cativante escuridão. Os meus pés brincam com a margem. Acariciam-na. Os meus olhos enchem-se com a tua plenitude. Como é forte a vontade de me atirar sobre ti, deixar-te engolir-me, devorar-me. Quero cair nesse teu poço sem fundo. Unir-me e não ter fim.

Podes guardar-me para sempre?


"It's not my problem, it's not my problem... I'm beautiful... 
Any man would have sex with me. But there's only one I want. But he says no..."

Pequenos suspiros, cantados à porta fechada. Confusão frustrada. Certezas incertas. Vontade. Muita vontade. Começo. Insinuo. Falho. Recomeço. Insisto. Envergonho-me. Calo-me. Aceito. Amuo. Choro. Desisto.

Mais ou menos isto.

Friday, July 15, 2011


Às vezes quero simplesmente afogar-me no teu cheiro. Respirar-te e não a este ar pesado, que me empurra para baixo. Para mim, és mágico, mudas tudo, reviras tudo, desarrumas os meus cantos. Por isso vivo em constante saudade, porque sim, murmuro, eu também queria estar contigo todas as horas, não 24 horas em cima de ti, mas a teu lado. E se não falo muito, é porque me morrem as palavras, porque por mais que as adore, o amor é mudo (ou então fala numa língua só dele).

Sunday, July 10, 2011


Às vezes pareço uma autista, tocando as coisas como se as achasse miragem. Faço isso contigo, quando te toco de mansinho com um dedinho apenas, como se estivesse a confirmar que estás mesmo aqui, ao meu lado, a respirar, quente. E naquela convicção doida de que, se não o fizer de 30 em 30 minutos, vais ser engolido por um buraco negro e nunca mais te vou poder tocar.
Tontices.

Friday, July 8, 2011


Gosto de foleirada. Melhor, não gosto. Mas tu fazes-me gostar. Daquelas coisinhas lamechas, como ver o pôr-do-sol juntos, soltar guinchinhos, abraços fortes, imparáveis, diminutivos pirosos. Gosto disso. Tenho saudades. 

Monday, July 4, 2011



"While the rest of the species is descended from apes, redheads are descended from cats."
(Mark Twain, humorist/writer)


Sempre quis ser uma gata ruiva! ;)



"Nada muda no mundo quando tu não caminhas ao meu lado, as pessoas quase não percebem que falta metade do meu corpo e que eu não posso ser muito simpática porque toda a minha energia está concentrada para eu não tombar."



Quase fui assim. Cheguei a ser assim. Por favor, não me faças sentir isto de novo. Não me deixes perder-te. Não sei quanta dor consegue o meu coração aguentar. Não lhe quero testar os limites. De novo. Se te fores, não quero mais implantes...

Mas tu vais ficar, não vais?  
 

Sunday, July 3, 2011


É incrível como fazes das minhas mãos as mais bonitas do mundo... Finalmente elas tecem coisas lindas, sem pedir, sem forçar... Pensava-as destinadas a palavras despidas e solitárias, mas tu mostraste-me o contrário! A teu lado, posso ofuscar as páginas... 


Está tudo bem, eu amo-te.


Habitua-te ao chão, meu amor. Aos braços vazios. Eu sei que é cruel. Mas habitua-te. A vida é mesmo assim. Não uses as asas... Não faças batota. Não tentes ser mais alta do que és... Aceita o teu destino. Mas tira-o desse pedestal, deixa-o despenhar-se. Não o guardes acima de ti, donde possa ver as tuas lágrimas. Não as mostres mais, esconde-as bem. Pára de amar a rastejar, vá. Equilibra-te. Não dês dá mais do que recebes.

Thursday, June 30, 2011


Estou com vontade de cair nos teus braços de novo...mais uma vez...indefinidamente...para sempre. Parar o tempo. Consumir-te. Devagarinho. Tornar-te parte de mim. Absorver-te. És meu.


She: Are you afraid of loosing me?
He: Sometimes I am... but most of the time, I believe I won't.

Saturday, June 25, 2011


Desculpa-me pelos momentos em que não acredito em ti, em nós. Entendo agora quanto isso te deve doer. Eu, que sou prisioneira da minha insegurança, do meu medo de que não queiras ficar comigo, estou basicamente a fazer-te sentir algo semelhante. Que não chegas, que devias ser mais, que tens algo de errado e que nunca vais conseguir ser a primeira pessoa para mim. Perdoa-me. Não mereces ouvir lágrimas. 

E é por isso, meu amor, que vou parar. Deixar-me destas montanhas russas e cair no teu abraço sólido e quentinho. E aceitar o que me queres oferecer. Vou acreditar em cada palavra tua. A partir de agora, com cada fantasia idílica que me apresentares eu também vou vibrar, também vou sonhar! Vou parar de dar passinhos pequeninos e vou voar contigo! Vou parar de te culpar de crimes que não são teus! Vou atirar-me sem pára-quedas. Confio em ti para me apanhares.

E sei que vais fazê-lo


Adoro quando:

te pões atrás de mim, me encostas para ti e me abraças
me dizes que sou única
tocas piano para mim e te desconcentras quando te toco
usas a tua voz de bebé
tentas contar as minhas sardas e baptizá-las
respiras junto ao meu pescoço
me cumprimentas com os braços bem abertos
roças o teu nariz no meu
estamos simplesmente deitados ao lado um do outro
lutamos na brincadeira
os teus olhos cintilam a olhar para mim
me fazes festas na mão
dizes que não tenho motivos para ter medo
me chamas "memê"
sorris e as tuas bochechas ficam enormes
dizes que tens orgulho de mim
começas uma luta de almofadas
murmuras que sou linda
tentas iniciar um tango comigo - não sabendo dançar
dizes que vais aprender a tocar uma peça muito bonita e vai ser a nossa canção
do nada, me dás um beijo na bochecha ou no pescoço
me tentas fazer cócegas
me escreves coisas bonitas
me ofereces coisas sem motivo - embora eu seja uma parvinha a receber prendas
me mostras coisas que mais ninguém sabe
dizes que te completo
encostas a cabeça no meu peito
sopras suavemente o meu cabelo da frente da tua cara
me tentas dar um beijinho à borboleta
ando às tuas cavalitas
rimos juntos
fazes as tuas caretas fofinhas
vemos um filme abraçadinhos
me arrepias
dizes que adoraste o que escrevi
falas comigo até adormecer
sorris ao ouvir-me falar das minhas memórias de infância
me fazes festinhas na cara enquanto estou no teu colo
os teus lábios encontram os meus
me abraças e puxas para ti enquanto durmo
dizes que esperas passar muitos anos junto a mim
ouço um "amo-te tanto"
me dizes que sou a mulher da tua vida

Às vezes gostava de o conseguir fazer. De esquecer que tenho esta coisinha fraca a bater aqui dentro.


Às vezes dói amar-te tanto. Divido-me entre a minha vontade de preencher os meus dias contigo e o medo que o deixes de querer um dia. Sou desiquilibrada, sim. Tombo. Afinal preciso de ti. Preciso que me segures, que contrabalances a minha queda livre. Pecarei por querer-te tanto? Deveria o meu coração ter aprendido as lições e deixar de querer o "para sempre"?

Thursday, June 23, 2011


Odeio quando:

tentas fazer de mim o que não sou
ficas horas sem dar notícias
me recusas
me fazes sentir pequenina
não me desejas uma boa noite
não reages às minhas palavras bonitas
não me dás a mão
me fazes sentir partida ao meio e não estás aqui para me completar



Aguardo. Vai-me sobrando a linda memória dos teus olhos risonhos, do teu nariz a roçar no meu, do teu cheiro atordoante. Em pequenas fracções de segundo, pergunto-me onde andas...em quem pensas...o que queres. Julgo saber. Mas às vezes, apenas às vezes, vagueio, desconheço. E temo. Temo tanto. Tudo e mais ainda. Cada aresta por limar, cada ponta aguçada que te espeto, como se te desafiasse. Mas não, não é um desafio. É tão somente o que sou. Errada às vezes. Feia. Por momentos. Mas sempre tua.

Monday, June 20, 2011


Não há dia nenhum em que não queira olhar-te enquanto dormes, lamber as tuas pestanas ou morder as tuas bochechas. Não passa dia nenhum sem que os passos que dei para longe de ti me magoem. Sei que devia amar-te menos, mas não consigo. Tenho um novo coração, implantado, mas também ele se deixa invadir por raízes, as tuas. Tens permissão para me perfurar até onde quiseres, nem é preciso pedir, eu abro os olhos e as portas. Calo aquela voz desafinada que se ri de mim e me promete mais dor. Porque eu não quero saber se me vais magoar ou não. Amar-te é a recompensa. 

Friday, June 17, 2011


Tenho tantos pedacinhos minúsculos, que se espalham, que tantas vezes me tornam dispersa e instável... Mas também eles se reúnem, por momentos, quando descanso junto de ti. Suspendem, ao mesmo tempo que o meu espírito se acalma, e todos os meus medos, aquelas facas pequenas com as quais não me deixo de espetar, se esfumam. E aí trazes-me paz, mascarada de pensamentos intrusivos, de cores tempestuosas mas harmoniosas... Sempre aquela luz que se desfia pela janela, aquela tua quentura, a salvar-me do gelo da dúvida... Aproximo-me mais da tua pele morna, linda, beijo-a, sinto-me evaporar no teu abraço. De certa forma morro, de cada vez, a minha forma preferida de partir...perdida nos teus braços. E não há passado, nem presente, nem futuro, está tudo suspenso. Preservo este momento num retrato sépia mental. Daqueles bonitos...que se guardam em baús intrincados...feitos de cordas e tendões...no peito.

(a ouvir isto ao teu lado)

Tuesday, June 7, 2011



Não sabia, nos poucos momentos em que te olhei nos olhos, nem enquanto te dizia que odiava preservativos de morango - sem nunca ter tocado em nenhum! (não me canso de repetir esta história), há quase 4 anos atrás, que iria estar hoje a teu lado. De mãos dadas, a caminhar. E vale tanto a pena. 
Gosto de pensar que crescemos e agora, que nos reencontramos, está tudo prontinho para encaixar. Destino, como tu dizes. 

Não consigo descrever quão feliz me fazes. Imenso. Para lá de muito. Verdade. Só sei que te quero guardar para sempre. E, sim, ainda tenho medo que um dia acordes e queiras ir... Que olhes para mim e não vejas a pessoa que amas. Que partas. Mas é também verdade que, se alguma vez tiveres de ir, guardarás um pedacinho de mim contigo. Eu sei que guardarei. 

Friday, June 3, 2011


Como amante confessa do caos, adoro pedaços de desalinho, linhas quebradas. De tal forma que amo cada lasca da tua tinta, cada canto imperfeito do esconderijo que encontro em ti. Sinto-me num abrigo verdadeiro, com as pedras a perder terreno à humidade, de modo que, de tempos a tempos, é preciso poli-las. E no espelho, onde outrora perdera o meu próprio reflexo, encontro-me tal e qual como me vês, finita, amarrotada, imperfeita, linda. E assim posso ter um sorriso genuíno, que assenta em algo real. É tudo tão cortante, tão vibrante junto de ti...E dou por mim, noutros tempos amante do vento, dos cantos impossíveis e dos caminhos de ouro, a encaixar nesta realidade de uma forma que não julgava possível. e a querer-te. Querer cada pedacinho teu, desfiar as nossas entranhas no nosso caminho de união. É um caminho desafiante, cheio de portas fechadas e arrombadas (que rodar maçanetas é demasiado subtil para o amor). Mas é neste caminho que me vou apaixonando mais e mais por ti, que me aconchego na nossa felicidade e compreendo o quanto valemos a pena... És um óptimo companheiro de construção. Tenho a certeza que juntos faremos algo lindo. Já fazemos. Somos imperfeitos e sabemo-lo. E isso é só mais um motivo pelo qual acredito que resulte.

Monday, May 30, 2011

Tão verdadeira esta citação, parece que foi feita para mim!


Levantei-me e abracei a minha felicidade. Ela esteve sempre lá. Vacilei porque estou cansada e insegura. Já dei uns quantos trambolhões na vida e isso deixa-me em estado de alerta permanente. Mas tu não mereces. Mereces mais do que estas dúvidas parvas... Devia confiar mais em mim, em ti, em nós... Dá-me tempo. Vou ter sempre medo, mas vou aprender a rir-me dele. 
Só não te quero perder.
Não sei o que escrever... as palavras atrapalham-se todas, assim como as gotas que caem desordenadas no teclado do meu mac... só queria hibernar. parar no tempo, adormecer cem anos.. estou tão cansada, só queria dormir dias e dias... dedicar-me ao abandono, já que estou farta de fingir...odeio máscaras e tectos falsos, talvez porque os usei vezes demais, odeio palavras e promessas vãs, talvez porque mas atiraram, como pedras, vezes demais... Odeio esperar algo da vida...algo que não dependa de mim...posso esfolar-me bem esfolada, que há coisas que nunca vou conseguir mudar... e que vão doendo a cada dentada... como se eu precisasse de motivos para não gostar de mim... E eu sei que devia parar com isto, que devia estar feliz, eu sei, mas estou cansada, confusa, sozinha... e eu odeio estar sozinha... tenho medo da solidão... ela engole-me, eu sei que sim... engole se ficar tempo suficiente à espera dela, perdida...

Era tão mais fácil se eu abafasse nas minhas lágrimas...desistir... tão fácil... tão simples... tão indolor... tão cobarde... mas eu estou farta de ser corajosa, estou farta de estender as mãos e não ter nada, nem a minha mãe gosta de mim, porque haveira alguém de gostar?

Quero que a manhã chegue, é tudo tão lindo de manhã, quando ainda há esperança que me ofereçam algo nesse dia... Odeio a noite estéril, à noite não há nada para mim, só mágoas do passado, do presente e do futuro... Odeio ser assim um complicado rebuliço, odeio ser pedinte... Mas também preciso que me ouçam, preciso de desabafar, gritar, chorar... Preciso que me abracem e digam que tudo vai ficar bem... Estou cansada de tentar ser forte,  não é a minha natureza, sou tão frágil e é tão fácil magoar-me...

Quero dormir...estou farta de insónias, de pensamentos idiotas, de dúvidas, de certezas...As lágrimas sujam-me a cara, o pescoço, toda imunda, a dor bem à vista... e o meu pobre mac cheio de manchas secas... E eu esgotada, em sal e em energia... talvez ceda ao sono e acorde bem... Só gostava de me sentir importante. Não me consigo convencer disso. Não mereço isso... preciso de atenção, de palavras idiotas, não quero mais palavras sérias que dizem muito, mas que me fazem pouco, preciso de rir, de relaxar, de beijos na testa, de abraços verdadeiros... Preciso de acções, de vozes, de cheiros, de calores, de palavras eléctricas estou eu cheia...preciso de sentir que mereço mais do que cinco minutos de atenção fraccionada, sinto-me tão pequenina assim, tão acessória... Preciso que me olhem por inteiro, só uns momentos para mim, estou farta de altruísmo, quero ser egoísta por um bocadinho... Mas não consigo... Não sou assim... Fui feita para dar, como se estivesse à espera que me sugassem e me deitassem fora... Já nem devia surpreender-me... Ponho a minha vida a girar em torno de alguém e essa pessoa não merece. Devia mesmo pôr-me em número um... Mas não consigo... Estou cheia de incapacidades hoje... Mas não deixa de doer, sabem? Dar-me assim e não ser retribuída... Gostava que as pessoas soubessem amar como eu... Tenho a noção de que não sabem... Ou talvez seja eu quem não saiba... Talvez eu me tenha encerrado num caminho de utopias e masoquismo... Talvez a idiota seja eu... Mas eu sou tão feliz, sabem? Mesmo muito feliz. Daquelas felicidades de livro. Ou assim parece. Mas quebro... E quando quebro, dói bastante...

Às vezes queria ser um bebé de novo, estar no colo de alguém todo o dia, mamar... Voltar a saber o que é ser o centro de alguém... Talvez nem aí o tenha sido... Terei? Custa tanto a acreditar... os meus olhos não sao grandes o suficiente para cativar? Porque é que eu não mereço......?

Estou a precisar de um colo. Do teu.

Sunday, May 29, 2011


She: Do you have any doubts?
He: I do. But I've decided to live with them, day by day. I won't let fear take me away from you.

Saturday, May 28, 2011


Tinha prometido a mim mesma que não teria saudades... Mas tenho. Parece um estado permanente. Por mais que tente fugir-lhe, dou por mim ajoelhada de novo, a pedir misericórdia.


Já sabes que sou medricas. Mas o que não sabes é que eu, na realidade, tenho ciúmes. Muitos. Ciúmes do que te rodeia, de todas as emoções que podes ter longe de mim... Às vezes sinto-me tão aborrecida, tão chata, tão cansada...não sei o que te posso oferecer... E temo tanto que queiras outra pessoa, que queiras outras companhias, que queiras uma vida longe de mim... Isto é ciúme do mais puro, o verdadeiro, visceral. Aliado àquele meu medo antigo de não servir para ninguém... 

Mas quão ridículos são estes ciúmes e medos quando das cordas suaves do teu peito se desprende tudo o que quero ouvir? Quando me derretes com observações doces sobre mim, coisas adoráveis que não julgava ter, pequenos pedaços meus que julguei perdidos... Quando me espantas com frases simples e fortes, convictas e desarmantes... Quando me enterneces com o teu lado mais vulnerável e bonito... 

Oh, sim, sou uma idiota!

She: I'm afraid... How do I know you'll never leave me?

He: You don't. You just gotta let me stay.

Friday, May 20, 2011


Tão certo que eu não sei o dia de amanhã, este mundo que parece dar voltas e voltas, mesmo quando eu teimo em ficar no mesmo sítio. Há sempre alturas em que nos têm de empurrar, em que não servimos mais. E aí eu vou. A custo. Porque quando quero ficar, dar passos dói. Muito. Por isso, ouve bem o que te digo: Se quiseres que fique, basta quereres. Não me empurres. Deixa-me ficar nos teus braços.

Monday, May 16, 2011


Estava eu muito entretida a apreciar a proximidade ao teu corpo quentinho (e meu), a beijar delicadamente o teu sorriso, quando me invade um ciúme imenso. Inexplicável. Uma coisa tonta. Possessão. Uma vontade enorme de ter sido a única a perder-me nos teus olhos brilhantes. De ser o teu passado, o teu presente e o teu futuro. De seres só meu. Também tenho destas coisas...

Sunday, May 8, 2011


Prometi baixinho que nunca mais. Olhei bem para dentro de mim e prometi. Nunca mais iria precisar de ninguém. Não queria suportar essa fraqueza. Mas falhei-me. Preciso de ti. Não para viver, que o meu cérebro funciona longe de ti, assim como o meu coração e os meus pulmões... Não para ser feliz, que a minha vida já me traz muitas alegrias... O que eu preciso, é de ter a tua mão na minha durante este caminho. Partilhar-me, completar-me. Fiquei viciada. Naqueles teus sorrisos lindos, com os lábios, os dentinhos, os olhos, as bochechas, com todo o teu rostro...que me desfazem por dentro, me partem em mil pedacinhos... Nos teus beijos na minha testa, enquanto murmuras que tudo vai ficar bem... Nos teus abraços quentinhos quando nos encaixamos de noite e eu adormeço com o sorriso da pessoa mais feliz do mundo... Não quero perder isso. Preciso de todas essas coisinhas... Fazes a minha vida melhor. Mais feliz.

Wednesday, May 4, 2011

"There are some ghosts that broke my heart before I met you..."

mas eu vou deixando-os para trás, a um ritmo acelerado, sucumbo a ti sem medos, refloresço num peito ressuscitado. Sim, há fantasmas que me partiram o coração. Mas eles não moram mais aqui. E tu deste-me um coração novo.
Sabem o que mais odeio em mim? A maneira como olho para as relações como se fossem uma montanha russa. Olho para elas e sinto a subida, subida, subida... E estou sempre à procura do ponto de "plateau", que antecede a queda. Fria e apreensivamente. Teimo que aí vem, mas não quero ver. Tenho dois pés que se odeiam. Um que nunca sai do chão, que pregou bem fundo, que jurou que nunca mais largava a segurança de não esperar nada da vida. Mas o outro voa quilómetros, saltita bem lá no alto, nas nuvens de algodão doce, que acredita no amor com quantos dedos tem. É por isso que, se uma parte de mim só admite a existência de montanhas russas que sobem e inadvertidamente descem, há uma outra que acredita que há algumas que chegam à lua, e de lá não voltam. Assim há Neil Armstrong. Com bandeira e tudo.
Nestes momentos que passo longe de ti, procuro não soltar um suspiro de queixa, ou um indignado "porquê?". O que tento fazer, meu amor, é apertar bem o peito, aquecer-me nas nossas doces memórias e aproveitar a triplicar o próximo encontro.
Estou doida, feliz, loucamente apaixonada!

Tuesday, May 3, 2011


E não, eu não procuro o teu corpo por luxúria. Podia ser. Mas quando reviro os olhos e te imploro que fiques, o que eu quero não é um gemido vão, mas sim unir-me totalmente a ti.

Monday, May 2, 2011

E é por isso, meu amor, que te olho tão fixamente, tão demoradamente, que tactei-o cada parte do teu rosto... Pela esperança de que, talvez um dia, te consiga decorar.

Pedro e o lobo

Foram já tantas as vezes que se ouviu o grito "lobo!", que a aldeia desenvolveu uma imunidade, cansada de correr para nada. Esta relutância não é de todo justa, porque parte do princípio que todos os pedros são falsos e só trazem promessas vãs. Os meus passos são pequeninos, as minhas pernas pesadas, os meus ouvidos quase moucos, mas continuo a correr na direcção da tua voz... Quero acreditar que vou finalmente ver o lobo.
"Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se. "

Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor"



Um daqueles meus sorrisos idiotas. Sim, esses mesmo... Gravado nos meus lábios saudosos. Sim, já tenho saudades. Toda eu. Cada parte de mim, cada centímetro expectante. Desde as minhas mãos pequeninas, que sonham com as tuas bochechinhas, até aos meus olhos grandes, que vão vertendo sal q.b. misturado com felicidade. É tão fácil ser feliz ao teu lado. Fácil porque mesmo quando atiramos as nossas divergências um contra o outro ou quando temos medo que não nos consigamos moldar, olhamos nos olhos um do outro, abraçamo-nos, e sabemos que vale a pena cada minuto... Estar aninhada junto a ti, com o coração mais dentro que fora, a perder a fronteira entre o teu corpo e o meu, é a sensação mais bonita que experimentei. E suspiro, enquanto aquela luz quente que entra na cama e me pisca o olho, ilumina mais um sorriso aparvalhado.

Wednesday, April 20, 2011

O que é este barulhinho suave, que me infiltra a audição, me invade pela calada da noite, mansinho? Que me deixa com suores frios, com um gemido constante, sufocante, uma inquieta necessidade de andar para trás e para a frente, numa dança peculiar que começa nos braços da almofada e termina no corredor vazio? Que me arranha, me asfixia, me faz olhar em volta e sentir-me perdida? Que burburinho infantil e simultaneamente sábio é este? Oh, claro. É só o meu coração a sussurrar a tua saudade. Para ver se me enlouquece de vez. Já não chega a quase dor física.


Disseram-me que tinhas ido. Nem rápido nem devagar. Indo. Longe. E dói. Não achei que fosse doer. Pensei que tinha ganho uma imunidade a essa dor, à que a saudade carrega ao colo, mas não. Enganei-me. Mas afinal, em que é que não me enganei? Felizmente, em muito! Só assim se explica este meu coraçãozinho excitado, rodopiando... Quando me vês a girar como uma doida, entende isso como a expressão da minha felicidade... Uma felicidade que não era para mim. Mas que é. E eu não a deixo fugir. Nem mesmo quando este meu peito feliz fica pequenino, inverso à nossa distância. Volta rápido e beija-me. Deixa-me perder-me na tua boca linda.

Thursday, April 14, 2011


Plenitude. Invade-me quando me deito na tua cama, hipnotizada pelos teus dedos no piano, sorrindo como só tu me sabes fazer, perdendo as minhas fraquezas... Desenterraste aquela parte bonita do meu ser, aquela parte que brilha, que se perde no teu olhar sem remorsos, sem reservas, sem muros. Há momentos em que vacilo, em que a minha claridade estremece, e eu sou breu de novo, inexplorado... Mas vou vencendo isso, vou sucumbindo a ti...tão rápido...tão profundamente...de uma forma que julgava impossível... Fazes-me amar-me. Não me partes a meio, não me tiras uma metade e reclamas como tua, mantêns-me inteira, como nasci para ser, com a excepção de que me pegas ao colo e te fundes em mim. E aí somos siameses. Dois. Não um. Somos demasiado bons para ser decapitados assim.

Sunday, April 3, 2011

Às vezes sinto-me assim, inútil, desadequada, sozinha. Como se em todo o universo só existisse o ténue bater do meu coração.
Sim, sou mimada, caprichosa, desbocada, ingénua, impulsiva e odeio críticas. Sei bem isso. Mas as pessoas vêm de todas as formas e feitios.
Só queria sentir um bocadinho menos quão inadequada sou para ti...

Saturday, April 2, 2011


Odeio apanhar-me assim, tão vulnerável, tão sensível pseudo-durona-que-o-que-quer-mais-da-vida-é-ser-amada... Enerva-me, tira-me do sério! E sim, de que é que estou para aqui a falar, eu que sou uma romântica inveterada, que estremeço só de pensar no caralho dos guppies na casa vazia. Tenho medo do vazio. Mas não gosto de ter. Sei que consigo ser sozinha. Eu sei isso tudo, sou feminista e tal. Mas eu não quero estar sozinha. Não gosto. Dispenso. Ouvir o eco do meu pensamento? Ná. Desnecessário. Mas custa tanto ser frágil, tonta, vulnerável. Custa estender o nosso coração a outras mãos "toma, vê, sente", estremeço tanto, medricas, medricas... Mas estendo. Não o guardo aqui para nada. Mofo e traças não combinam comigo. Nem acobardar-me, já agora. Tenho medo, mas vou à luta. Acho que mereces.

A julieta morreu


Vá, Julieta, chega de rodopios e guinchos. A vida é mesmo assim, dura. Não há mais varandil de musgos. Só escadas espinhosas e chão quebradiço. Não há certezas nem virtudes, só cada passo pesado. Aceita o teu coração de volta, vá. Andaste para aí com ele pulsando, sangrando, bramindo aos quatro ventos, mas ele só a ti pertence. Sim, eu sei que o davas de bom grado. Eu sei. Sei tudo sobre ti. Sei quanto te dói tê-lo assim sozinho, no peito, mas é melhor. Lembras-te da última vez? Veneno e punhais, não resulta bem. Só dor e morte. Não. Agarrada à terra estás melhor. À laia da cautela, ata umas pedras aos pés. Para não voares. É sempre mau quando voas. Sim, sabe bem, pois sabe. Eu também gosto muito. Mas não, Julieta, só tens a tua vida. És só tu. Sim, parece mesmo, eu sei. Mas esquece. Dá-me a mão, volta para a cama. É lindo, aqui. És linda tu. Não chores. Não vale a pena. Morrer não dói nada. Já morreste, lembras-te? Sim, foi por amor, eu sei, é diferente. Mas não há mais disso. Tiveste a tua hora. Há coisas que têm realmente prazo de validade. Não procures em vão. Sossega. Aprecia o silêncio, a acalmia do comum, da imperfeição. Voaste durante demasiado tempo e agora o chão magoa. Mas habituas-te. És uma menina versátil. E meia vida basta. Nem sempre podes ter uma inteira. Sim, Julieta, morreste. E já não há quem morra por ti.

Monday, March 28, 2011


"Share my life,
Take me for what I am.
'Cause I'll never change
All my colors for you.


Take my love,
I'll never ask for too much,
Just all that you are
And everything that you do."
(I Have Nothing from Whitney Houston)

Só te consigo dar o que tenho. Dou-te tudo o que tenho. Mais do que isso não consigo. Espero que possa ser suficiente, porque gosto mesmo de me entrelaçar em ti.

E sim, estou magoada. Não gosto de desiquilíbrios. Fazem-me cair. A mim pouco me importa que venhas nu pela rua. Eu gosto mesmo é de ti. E posso mostrar-te de todas as formas e feitios a esses olhares curiosos, com orgulho, porque só eu sei o quão feliz me fazes.  E basta o teu sorriso e o teu olhar para eu saber que és tu. Não preciso de roupa.

Amo-te, 
não podemos simplesmente dar as mãos e correr pela rua como duas crianças apaixonadas?

Não sou um cavalo de corrida! Não penses que vens para aqui polir-me os cascos e que tudo vai ficar bem. Eu venho com o pacote completo, coisas na cabeça e tudo, não esperes grandes melhorias, sou assim mesmo. Eu avisei-te, avisei-te, avisei-te. Se estás à espera de milagres, pensa melhor, antes que me fodas o terceiro coração.

Eles? Eu não quero saber deles. Estou-me nas tintas. Se nasci para ser queimada na fogueira, que seja. Não vou deitar por terra a parca confiança que vim desenvolvendo ao longo destes anos, não me deito fora mais. A desmaterialização custou tanto, quase me matou, não o faço mais, desculpa. Se tens vergonha, foge. Esconde-te. Admite perante a sociedade que ela é mais forte que eu. E ela sorri e fica contente, porque tem mais um carneiro. Mais alguém igual. Riam-se vá! Riam-se das pessoas ridículas que, curiosamente, são bem mais felizes que vocês e as vossas vidinhas comuns. Não pedi para ser única. Construí-me assim. E mil vezes assim. Mil vezes única. Vocês riem-se de mim porque eu sou diferente. Eu rio-me de vocês porque são todos iguais. O mesmo carneirismo hitleriano, a mesma falta de confiança, os mesmos gritos calados, domesticados. Não sou um animal de cercado, sou livre, LIVRE. E caio, se for preciso, não quero saber. Pisem, vá. Cuspam. Não têm mais nojo de mim do que eu de vocês. Só têm mais inveja, porque no fundo queriam mesmo mesmo era ter coragem para ser o que são, mas falta-vos os tomates. E eu não quero ser como vocês. De todo. Vá, tentem aprisionar-me... Não contava era com essa ajuda... Ironicamente, são as pessoas que mais gosto que vos estendem a chave destas algemas... E eu que pensei que só me queriam ver voar... Como posso eu gostar de mim quando nem eles o fazem? Realmente, não devo prestar para nada.

Thursday, March 24, 2011


Está na hora de dormir. E eu não quero. Deitar-me sem ti... Para quê? Para me sentir a flutuar sozinha para lado nenhum? Não. Eu quero mesmo é abraçar-te. Nunca gostei tanto de abraçar ninguém enquanto dorme. Nunca. Há algo em ti que me faz ter braços enormes, prontos para te envolver, para te proteger, para te guardar do frio, eu que sou tão pequenina, tão frágil já de mim... Mas estes bracinhos querem guardar-te. Bem aqui. Onde te possa ouvir respirar.

Friday, March 11, 2011


Há diagonais que me fascinam e intrigam. Um dia hei-de ter coragem de traçar uma, só para saber como é... Assim quando a minha mente pseudo-depressiva levar a melhor... Assim quando eu não tiver mais vontade de remar contra a maré...Assim quando eu ficar presa numa ilha deserta...sozinha.
Esqueci-me desta minha capacidade de agrilhoar as pessoas a mim. Elas vêm, vão ficando, querem mais, esperam, desesperam. Quem me conhece, quer-me muito. Quer agarrar o meu cabelo, acariciar a minha pele, ouvir o meu riso, enterrar-se nos meus olhos, fazer parte de mim. E eu deixo fazer. Encaixo-me, quase sempre perfeita, quase sempre um sonho, uma quimera impensável, um bicho de mil formas que, de alguma forma, resulta bem. E as pessoas caem ainda mais, maravilhadas, sem querer acreditar. Acham-se com sorte. Mas sorte tenho eu. Acham que não merecem. E provavelmente não. Provavelmente não pertenço a lugar nenhum, por muito que queira ficar, por muito que queira estender a toalha de piquenique, aí vem mais uma ventania, um safanão, e surge uma nova colina. E há um novo cesto a preparar, novas coxas de frango, novos rissóis (a minha perdição), novo vestido lindo de domingo. E encanto, saída de um filme. Danço e canto enquanto as pessoas, preguiçosas, se deixam ficar. Sorrio-lhes muito. Tento ser o mais linda possível, abro-lhes tudo, dou-lhes cada artéria e cada veia, cada parte de mim. Sou assim mesmo. Nasci para dar. Daí querer ser médica. Quero passar a vida a dar-me aos outros. E faço isso nas relações. Dou-me até não haver mais. E então, chegado a este clímax, basta esperar o ponto de saturação, a reviravolta, a altura em que o doce enjoa, se torna perfeito demais, bom demais, tóxico, impossível de gostar e amar. E eu fico a rodopiar sozinha, ainda de cicatrizes abertas...Aquelas cicatrizes que eu tinha aberto para dar toda e qualquer parte de mim. E agora para ali estão, inúteis. Ninguém as quer. Ninguém as beija mais e diz que tudo vai ficar bem. Por momentos, julgo morrer. Mas vivo sempre, renovo-me, pronta para mais uma luta, pronta para mais uma vez, tenho um coração daqueles fortes, daqueles que simplesmente não se conformam e que acham que, mal por mal, mais vale parar arranhado do que intocável, virginal. Não quero cá disso. Por isso, não tenho sonhos de plenitude. Só trabalho com o presente. E nele sou feliz. Estás aqui. Vai ficando. Eu juro que te trato bem.
Desculpa se sou um bicho desconfiado, se tens de apanhar os meus pedacinhos numa escumadeira para que possam criar alguma coisa.
Desculpa ter-te aparecido na frente, depois de tantos anos, mais pesada, menos leve, mais magoada, menos inocente.
Desculpa se os meus olhos ficaram mais pequenos, cansados de se abrir aos outros.
Desculpa se tens de sussurrar mil vezes as mesmas palavras até que eu acredite.
Desculpa não ser mais aquela louca que caía de cabeça em tudo, mas sim cautelosa.
Desculpa se deixei de acreditar em mim e no meu futuro.
Desculpa não te dar mais do que aquilo que sou, por medo de o ver atirado fora.
Desculpa carregar dores que não te dizem respeito, mas que és obrigado a suportar.
Desculpa não te dizer todas as palavras que mereces ouvir, que são tuas há muito, mas que eu não sei como verbalizar.
Desculpa controlar-me para não abrir todas as minhas portas a ti, como tanto quero.
Desculpa se caio cada vez mais sobre ti, se sou pesada, se te quero mais e mais, reclamando cada parte de ti.
Desculpa se me fazes chorar de alegria.
Desculpa estar a pedir-te desculpa.

Friday, February 25, 2011


Eu não sou suficientemente importante. Não valho o esforço. De todo. Nos poucos momentos em que me esqueço disso, estou a mentir a mim mesma. Acho-me especial. Acho-me diferente. Não sou. Ou talvez seja. E daí? Atiram-me ao chão como qualquer outro. Não tenho tratamento V.I.P., não me carregam pelos meus lindos olhos. A balança vai tombando, cada vez mais para o outro lado, o lado que eu não quero, mas não posso lutar contra a minha natureza...sou assim, mais mau que bom. E eu bem tento escondê-lo. Eu bem tento parecer melhor, eu bem tento mudar, faço tudo, mas é tudo em vão. Acabam por me ver, e depois não há volta a dar...Não valho o sacrifício. Porque não pode haver uma só vez em que me estendam a mão e me digam para vir?

Ainda dizem que as células do coração não se dividem... O meu conseguiu regenerar-se para te poder guardar. Sim, é isso mesmo que quero fazer. Ter-te aqui.

Senta-te aqui. Não fales. Vê-me só. Sim, não sou reflexo. Sou aguçada, de lados rombos, frágeis, de finas subtilezas. Simples no complexo. Desigual. Assimétrica. De difícil encaixe, talvez? Duvido. Não sou dura, mas talco, gesso, qualquer coisa assim, moldável, daquelas em que se enterra os dedos e se deixa mossa, nódoa-negra. Assim sou. Dediquei-me à busca de algo assim, igual. Achei as minhas estranhezas demasiado vincadas para alguém que não eu entender. E juntei-me a algo reprodutível em mim. Paz. Falsa paz. Uma sensação enganadora de estabilidade, mascarada de espelhos. De tal forma que me esqueci do meu próprio rostro. Perdi-o de vista. Mas ele perdoou. Não te queria enterrado na minha vida. Quis afastar-te, mesmo que me doesse, quis salvar-te desta garganta de abismo. Ouviste? Não. E ainda bem. Estendeste-me novas pautas e disseste "acompanha-me". Palavras mágicas, nunca antes ouvidas. Acompanhar e não fundir, até ser inteligível quem é quem. Completar e não eclipsar. Criar algo em vez de reduzir. Franzi o sobrolho. Não me sabia capaz. Ainda não sei se sou. A minha melodia soa-me sempre nasalada, disforme e eu acho-me mancha em vez de brilho. É difícil acreditar depois de tanta queda. Mas de cada vez que te guardo no meu abraço, sorvendo-te o cheiro, roubando-te o brilho no olhar, acredito mais. Penso na improbabilidade de completar alguém. E acrescento-lhe mais um pontinho, na esperança de que alguma vez me possa vir a convencer. Nos entretantos, vou trabalhando. Há coisas que se querem assimétricas, com um desnivelamento aqui e ali. Por isso, não quero aqui encaixes perfeitos. Apenas imperfeições que se completem. E lutem entre si. E saibam quando perder. Porque ganhar também pode ser uma forma de derrota. E eu não quero o primeiro lugar sozinha.

Thursday, February 24, 2011


Caí do outro lado da rua, 
desmaterializei-me,
costas num abismo,
pernas quebradas,
  lírios de choro na sepultura,
sonhos...
já nem tinha sonhos,
partiram-mos em bocados
e atiraram-nos aos porcos,
e eu a ver,
parada,
capturada no meu medo,
só.

Quis gritar, juro,
mas sufoquei,
apertei demais o pescoço,
mas aqui fiquei,
resistente.
Não queria...
Mas quero agora.
Este lado da rua não é assim tão mau.

Friday, February 18, 2011


Não exijo mais do que aquilo que podes dar. É desleal. Aceito o que há. E sou feliz.

Não entendo porque trago veneno para tudo. Porque tento pensar, repensar, pisar tudo, destruir tudo. Mania de quem acha que sofre, quando na realidade passou a vida a sorrir. De quem é feliz mas não acredita. Incrédula, sempre. Desconfiada. Hás-de ter muitos amigos, tu.

Não é fácil que me entregue. E muitas vezes parece que o vou fazer, parece mesmo. É agora, isto sou eu, tomem-me nos braços e não me deixem cair. Mas não. Recuo. Como uma corça. Sofro demais mesmo só me entregando um pouco. Maldita tendência de cair, não podia ser como as pessoas normais, que caminham? Eu só ando aos trambolhões, lanço-me de escadas altas pensando "e depois?". E depois partes-te toda, que querias que acontecesse?! Tenho esta tendência tresloucada para viver no limite, alheia a todos os meus alarmes. E agarro demais, mas não ao corrimão, agarro ar, tudo o que mexe, chega perto e me toca. Erro maldito! Quem me toca está condenado. Vai ter de carregar o meu peso. E a minha alma é tão pesada, tão velha. Pedras de esquecimento. E as minhas garras...tão fortes, tão sôfregas, implorando carne, implorando algo que devorar. A minha queda é tão rápida, arrasto tudo. Dividida entre a solidão e o medo dela. Ela murmura-me durante o sono que lhe pertenço. Mas eu não quero acreditar. Mereço mais.

Só tenho de me fechar mais um pouquinho antes de me poder abrir.

Sunday, February 13, 2011

Tuesday, February 8, 2011

Deixei a minha respiração asmática por um bocado. Ou melhor, por um longo bocado. Às vezes sinto necessidade de melodrama. De olhar em volta e esbracejar. De negar a minha natureza. De chorar pela minha fragilidade. Também tenho desses momentos. Depois volto a abrir os olhos e a viver.

Monday, February 7, 2011


Tão rápido não. Despenho-me.

Talvez tenha nascido para a cissão. Talvez não pertença a lugar nenhum. Sou uma sem-abrigo. Nem em casa estou em casa. Estou só, perdida. Decidida a viver por mim. Mas sem conseguir. Dando passos tímidos. Sozinha, sempre sozinha. E eu queria tão pouco... Porque não consigo? Porque é que ninguém me deixa abrigar-me? Entrar? Inundar a casa, alguma casa minha... Molhar-me, banhar-me nas minhas lágrimas de felicidade... Não uns segundos...não quero mais segundos. Quero mais. Ou então nada. Ar. Ar para soprar as velas que me vão aparecendo. Não estou destinada ao fogo. É o gelo que me há-de consumir. E eu dir-lhe-ei olá...demoraste...merecia-te mais cedo. Senti falta da tua piedade. E da tua eternidade. Prometeram-ma e nunca ma deram. Mas não morro mais sozinha, porque estás aqui comigo, a matar-me devagarinho, como se me amasses.

Sunday, February 6, 2011

Poderá ser? Tu? Não...não. Eu já te tinha esquecido. Estou a sonhar. Óbvio. Esfrega esses olhos, nádia maria, ou maria nádia, esfrega-os bem... Não pode ser. Tu tinhas morrido. Eu vi-te morrer. Aliás, fui eu que te enterrei. Esbracejaste e tudo. Mas nada. Foste-te. E agora estás à soleira desta nova casa? Não. Bom demais. Ilusório. Impossível. Eu desisti de ti. Achei que nunca mais te teria. Mas enganei-me. Esses braços são teus. Esses olhos são teus. Não estou morta, pois não? Raios, lá estou eu a chorar. Não vale. Mais um tiro? Não me mates desta vez. Deixa-te ficar. Entra, vá. Este meu cantinho é bonito. Ainda tenho aqui a tua chávena. Senta-te. O "F" rachou. Mas ainda dá para perceber o teu nome. Agarra-a bem enquanto sorris para mim. Sim, és mesmo tu. Ninguém agarra a "elicidade" pelo lado contrário ao da pega.

Saturday, February 5, 2011


Sou uma casa novamente. Arranjei aquela porta caída, aquelas paredes esburacadas, aquele canto negro a cheirar a lágrimas, desfiz-me disso tudo. Agora sou só eu, e branco, muito branco. Pronto para ser pintado de novo. De sorrisos.

Adoro o facto de seres conciliador e não disruptivo. Não quebras linhas, molda-las.

Friday, February 4, 2011

Pronto, aqui está. Hoje te dou o que é teu por direito. Merece-lo. Vá, agarra-o. Devagarinho, que ele tem espinhos, tantos espinhos...mas é fachada, eles estão lá só para enganar, fazer feitio, na realidade eles são de borracha. Fininhos, indolores. Só para assustar os incautos, aqueles que se deixam enganar. Debaixo da aparência maliciosa pulsa uma carne doce, tenrinha, que realmente nasceu para aquela casa branquinha, aqueles cães e aquelas crianças. Não desejo muito. Não olho para o fim do precipício. Só quero olhar onde ponho os pés agora. Mas não vai resultar, já sei. Vou querer espreitar, olhar em frente, sonhar, voar. Eu assim sou. Bem que tento cortar esta minha veia, mas não resulta, ela multiplica-se, torna-se mais ávida ainda, quanto mais espancada, mais ela quer crescer, mais ela se quer segurar, tremer, acreditar. Ela cai sempre e, nem que sejam só nanossegundos, vê o amanhã e sorri. Rodopia. Canta. E eu roubo momentos de felicidade a uma vida que goza comigo. Mas eu deixo. Quem ri por último, ri melhor.

Thursday, February 3, 2011


Livra-te. A sério, livra-te! Que estás tu a fazer? Não, não, vais-me ouvir. Não faças isso. Só vai dar tragédia. Daquela romana, com gladiadores e leões, e gente esventrada... Oh, vá lá... Deixas-me mandar em ti por um segundo? Vá, um segundo só, não sejas tu e sê eu... Já estamos cansados de sofrer. Basta. Basta? Não olhes para mim assim. Não. Achas que és um terrier, ou quê? Não, olha para o lado. Não quero saber se estás feliz. Tu estás sempre feliz até ires parar aos cuidados intensivos, de rosto irreconhecível. E lá vem mais uma máscara... Pára de perder as máscaras, não te avisei quando nasceste que eras demasiado disforme para a luz do sol? Não te descasques, chega... Para quê? Mais uns dias, mais uns segundos, que recebes em troca, nada! Depois ficas vazia, e eu tenho de te puxar das trevas de novo. Estou farto! Chega! Queres ir, vai, estás por tua conta! Não sorrias. Não faças de conta que sabes mais do que eu. Se der passos suficientemente pequeninos consigo chegar ao fim ileso. Salvo. Sem dores. E tu? Oh, tu... Vais para a cova arranhada, de braços e pés partidos, olho negro tapado por óculo de sol da Gucci, com um coração retalhado... E sorriso nos lábios? Não, não brinques! Sorriso nos lábios? O que diz a tua campa? 


"Se fechasse o meu coração enquanto vivi, não teria este sorriso nos lábios"


Pronto, está bem... Ganhaste. Salta lá.

Wednesday, February 2, 2011


Ela estava a dormir. Muito quieta, muito tímida. Sossegada, de olhos vazios. Entorpecida. Linda. Triste. Chamei-a devagarinho. Pestanejou suavemente, apenas. Voltei a chamar. Quero morrer...deixa-me morrer, deixou sair pelos seus lábios delicados. Não deixei. Levanta-te. Não...está frio...não tenho nada à minha espera. Tens-te a ti...esqueceste-te de ti? Esqueci, perdi-me no vento. Não perdeste nada. Eu estou a ver-te. Só sombras. Nada disso. LEVANTA MAS É ESSE TRASEIRO JEITOSO E FAZ-TE À VIDA!

Wednesday, January 26, 2011

Já vi esses olhos. Algures. Sei bem onde. Só quero fingir. Esconder, hesitar. E, mais uma vez, vejo-me a olhar um abismo, de passos perdidos, de rumo indeciso. E, mais uma vez, cair parece a melhor solução.

Tuesday, January 25, 2011


Hoje enterro-te. Reenvio-te para o local de onde nunca devias ter saído. Sua puta. Não te rias. Não tem piada. Sai lá mais uma vez, vá. Abre essas pernas. Geme alto. Enlouquece. É a última vez. Metes-me nojo. E não me chames de ingrata. Livra-te disso. Não foste tu que me salvaste. Só me tapaste os olhos até eu acordar.

Monday, January 24, 2011

Quero deixar o submundo do viver por viver para trás, que isso não é vida para mim...eu quero sentimentos reais, não esboços.

Wednesday, January 19, 2011

Gostava de saber como é que as pessoas fazem isso. Como é que cospem no chão coisas que tinham valor...como é que deitam fora peluches que foram abraçados todas as noites...como é que perdem na mente sentimentos que se julgavam infinitos...
Não sei fazer dessas coisas...Vivo como se morresse amanhã, não penso, não pondero, não mudo coisas que sinto... Sou genuína. Quando amo, amo. E quando odeio, odeio. Não muda. Não anda assim, ao sabor do vento, ora odeio, ora amo, não, sou constante. Quando olho nos olhos de alguém e lhe digo que o quero para sempre, é verdade. É imutável. Quero. Sempre quis. Mas não se pode querer o que não se pode. E por isso vou saltitando, vou avançando no tabuleiro, esperando por quem me queira realmente comprar. Não alguém que minta... Não alguém que se engane. Não quero enganos, não os quero mais. Basta. Se não, prefiro manter-me na prateleira, amando-me a mim mesma, vivendo para mim mesma... Não nasci para isso, mas que sabemos nós sobre isso afinal? Não, não me importo mesmo nada... Mas se for para bater nesta porta, neste corpo velho cansado, que não seja com falsas promessas. Prefiro uma certeza dura e crua a quimera impossível. 

Tuesday, January 18, 2011

Não me deixes sozinha. Tenho medo, muito medo. Este monstro que mora dentro de mim aterroriza-me. É feio, tão disforme. Não o deixes encontrar-me. Não o deixes ver-me. Protege-me de mim.