Monday, February 25, 2013



Sou apaixonada por mim mesma, acima de todas as coisas...pelas manias incompreensíveis...pelas maluquices...pela fragilidade de menina-mulher...pelo espírito forte...pelos olhos grandes demais...
Sei hoje que esta fera que por vezes berra...que vive apaixonadamente...que sofre, que tomba, que se arrasta teimosa, não é compreendida por ninguém senão eu! Ninguém é capaz de me amar como eu me amo, porque só eu conheço esta morada...não há bússolas que guiem para o meu casulo, para as minhas mil camadas, para os segredos que não conto a ninguém. Sorrio, rio, rodopio...mas cá dentro moram génios desolados e velhinhas enrugadas, comerciantes de seda e marinheiros de água salgada...tormentas, dias de sombra, pedaços de paraíso...vozes, tantas vozes, tantas vontades...tantos sonhos partilhados, tanta ingenuidade despedaçada, tantas fantasias de fada...E eu sempre a fingir, a falar cada vez mais alto, sempre a desmentir as tristezas...como se ser infeliz fosse o maior veneno do mundo...Não é.

Sunday, February 24, 2013



ph. by Nishe

"Love,
I don't know how many times I've read your last letter. I know the words by heart now; they're embedded in my skin. I keep our souvenirs from the last year nearby. I lay them out often to recall our steps, to etch the memories into my mind. I touch each one and whisper your name, move on to the next. Do you remember the meadow in April, sheathed in morning fog? Do you remember the stepping stones in the river? I keep things from before you even knew who I was, when I could only watch from a distance. These I brush over as well, until I am lost inside you, and certain that our story will never fade from my mind.
The nights are long and the depth of the ache cannot be measured. The north winds have returned, leaving behind little trace of summer. I often wake to a world of delicate frost. You are not here, and the daytime clouds curtain the sky just enough to hush the light—the emptiness is complete.
This morning, as with many mornings, I opened my eyes and for a moment expected to find you next to me. All day now I've been thinking of you. But it's getting darker now, and I'm afraid I won't be able to sleep tonight.
How long has it been since I last saw you, love? A month? A year? A thousand? Return to me soon.
Yours —for all time,
~A.D."

by Jesse Michael Renaud

Quando comecei a ler esta carta, não mais consegui parar. Lembrei-me de nós instantaneamente...
Recordei a separação...a raiva...a incompreensão...a saudade...a difícil tarefa de te esquecer!
Não consegui. Não propriamente. Camuflei-te, escondi-te, guardei-te bem fundo, a ganhar bolor.
Não te queria ver, não queria falar contigo...odiava-te por me abandonares!
Por teres deitado tudo a perder...por seres uma criança imatura que me tinha deixado no momento em que mais te amava!
Ainda hoje, quando olho para ti, vejo aqueles dois meninos que descobriram o amor juntos
e nem se apercebiam de quão raro era aquilo que sentiam...
Admiro a nossa inocência...e as vezes gostava de recuperá-la...
Gostava de ver nos teus olhos a pureza de outrora, antes de te ter magoado e endurecido...
gostava de te olhar sem a mais ínfima desconfiança, sem medo de acordar um dia e saber que já não me queres, uma outra vez...
Estamos diferentes agora. Mais velhos...mais sofridos...mais desconfiados perante um mundo que não dá tréguas!
Queria certezas de que os nossos sonhos de há tantos anos se irão concretizar...mas não mais as posso ter!
Só posso esperar, pacientemente, pelo que a vida nos quererá oferecer!

Voltaste para os meus braços...só quero forças para não te deixar ir embora de novo!